Febre amarela avança para o Sul; nº de casos quadruplica

09 de maio de 2009

Enquanto as autoridades sanitárias discutem as medidas contra a gripe suína, a febre amarela silvestre avança para o Sul e Sudeste do País e aumenta em quatro vezes o número de vítimas fatais causadas pela doença. Tradicionalmente endêmica no Norte e Centro-Oeste, a febre amarela, segundo o Ministério da Saúde, se manifestou neste ano somente em dois Estados: São Paulo e Rio Grande do Sul, onde 43 pessoas foram infectadas e 16 morreram em consequência da doença.

No ano todo de 2008, os dois Estados contabilizaram juntos apenas quatro mortes (duas em São Paulo e duas no Rio Grande do Sul), número quatro vezes menor. Antes disso, o último óbito em São Paulo havia sido registrado em 2000. Já no Rio Grande do Sul nenhuma morte havia ocorrido depois de 1990.

Em São Paulo nove pessoas morreram entre 22 de fevereiro e 1º de abril deste ano. No total, 25 casos da doença foram confirmados. O índice de letalidade chegou a 36%, mas pode ser maior, uma vez que, além das nove mortes, outras duas confirmadas – de pessoas que morreram em conseqüência de uma reação provocada pela vacinação -, ainda não foram contabilizadas pelo Ministério da Saúde.

Entre os 25 casos confirmados, 16 (64%) eram em homens. A idade variou entre 8 dias de vida e 52 anos, com média de 30 anos. Todos não eram vacinados contra a febre amarela e estiveram em atividades no meio rural ou silvestre como local provável de infecção.

Todos os casos sintomáticos tiveram amostras de sangue coletadas e as análises laboratoriais estão em andamento. Vinte pessoas com sintomas leves são monitoradas, aguardando confirmação diagnóstica.

No Rio Grande do Sul, que até 2008 desconhecia a doença – era considerada uma “área indene” (livre ou ilesa da doença) – 18 casos foram confirmados e sete pessoas morreram. Um outro óbito, que é investigado, também teria ocorrido por conta da reação vacinal, chamada de víscerotrópica aguda. Essa reação é considerada rara e ocorre com a contaminação do vírus (enfraquecido presente na vacina) no tecido do fígado. Outros dois óbitos, também registrados no Ministério da Saúde como “evento adverso à vacina”, foram descartados no Estado.

A escalada da doença levou as autoridades a iniciarem imunização em massa nos dois Estados. Em São Paulo, onde a doença neste ano avançou da região noroeste para a sudoeste do Estado, foram distribuídas 2,5 milhões de doses de vacinas de janeiro a abril e aplicadas 895.408 doses em 44 municípios, entre eles Buri, Saratuiá, Itatinga e Piraju, onde os casos e mortes foram confirmados.

O número de doses, aplicadas até o dia 22 de abril, corresponde a 89,01% da população residente nesses 44 municípios, que até 2008 estavam livres da doença. No Estado, 374 municípios estão dentro da área de risco.

No Rio Grande do Sul, onde a letalidade da doença chegou a 38,8%, a vacinação em massa continua. De acordo com o Ministério da Saúde, o Estado que, até 2008 não tinha qualquer registro da doença, possui agora uma grande área endêmica que envolve 272 municípios. São 81 municípios afetados e 190 em zona de risco, que agora envolve a própria capital, Porto Alegre, onde a vacinação em massa é realizada neste final de semana, depois que dois macacos foram encontrados mortos no município vizinho de Guaíba.

Entre outubro de 2008 a 28 de abril de 2009 foram distribuídas 4,2 milhões de doses da vacina contra febre amarela para o Estado. No mesmo período, foram aplicadas 1.627.239 doses, nas áreas com recomendação de vacina e de intensificação das ações de vigilância.

Em São Paulo, segundo Helena Sato, coordenadora de imunização da Secretaria de Estado de Saúde, a situação agora é relativamente calma, mas as vigilâncias estão em alerta. “Mas a situação só está assim porque agimos rápido; o primeiro caso relatado foi em 13 de março e já no dia seguinte iniciamos a vacinação em massa”, disse.

Desde 1º de abril o Estado não confirma nenhum caso. O avanço da febre para outras regiões de São Paulo é explicado pelos ambientalistas como fruto do desmatamento, principalmente o verificado próximo a mananciais, habitat do mosquito Haemagogus, mas, uma vez infectada em área silvestre, a pessoa pode, ao retornar, servir como fonte de infecção para o Aedes aegypti, principal transmissor da febre amarela urbana e também vetor da dengue.

A doença
A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos, principalmente pelo Aedes aegypti. Se não tratada, pode levar à morte.

Os sintomas iniciais são febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares. Posteriormente, o doente pode apresentar náuseas, vômitos e diarréia.

A doença ocorre na maioria das vezes em zonas rurais e de mata. A principal forma de prevenção é a vacinação. É recomendado que a pessoa seja vacinada pelo menos dez dias antes de viajar às áreas de risco.

Fonte: Terra

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Data de criação: 09/05/2009
Última atualização: 20/03/2010

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