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	<title>Febre Amarela &#187; história</title>
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	<description>Aprenda como se prevenir da febre amarela. Obtenha informações sobre o que é a doença, o vírus, modos de transmissão, tratamento, prevenção e muito mais.</description>
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		<title>As cores sociais da epidemia</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 12:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Febre Amarela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[febre amarela]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[27 de dezembro de 2009 &#124; 0h 09 Discurso &#8216;científico&#8217; sobre a gripe suína reproduz lógica da alienação e do medo Epidemias são boas para pensar. Apesar de o medo que causam ser uma constante na história, a maneira de as pessoas viverem a experiência desse medo varia com tempo e lugar. Febre amarela, janeiro [...]<p><a href="http://www.febreamarela.com/as-cores-sociais-da-epidemia/">As cores sociais da epidemia</a> foi publicado em: <a href="http://www.febreamarela.com">Febre Amarela</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div>27 de dezembro de 2009 | 0h 09</div>
<h3>Discurso &#8216;científico&#8217; sobre a gripe suína reproduz lógica da alienação e do medo</h3>
<div>
<p>Epidemias são boas para pensar. Apesar de o medo que causam ser uma constante na história, a maneira de as pessoas viverem a experiência desse medo varia com tempo e lugar.</p>
<p><strong>Febre amarela</strong>, janeiro de 1850. A doença se alastra por cidades portuárias brasileiras, deixando dezenas de milhares de mortos e perplexidade quanto a sua origem e modos de propagação. As beatas imaginam uma explicação a sua moda. Intensificam-se os anúncios de preces e o comércio de imagens de São Benedito, santo preto popularíssimo entre a população escrava do Rio. Dizia-se que o andor de São Benedito fora excluído da procissão de Cinzas do ano anterior, causando a ira do santo e sua vingança pela peste. <strong>A febre amarela</strong>, conhecida também por &#8220;vômito preto&#8221;, mostrava-se mais letal para a população branca, em especial imigrantes recém-chegados ao País. Os escravos, africanos em sua maioria, às vezes até contraíam a doença, mas pareciam resistir bem à enfermidade, daí a conclusão de que estariam protegidos pelo santo negro.</p>
<p>Médicos e autoridades atribuíam o flagelo às condições sanitárias das cidades e a características climáticas. O acúmulo de sujeira, com muito material orgânico em estado de putrefação, o calor intenso e a menor incidência de chuvas acompanhadas de trovoadas &#8211; pois se achava que descargas elétricas purificavam a atmosfera -, teriam provocado a produção de &#8220;miasmas&#8221;. Miasmas em suspensão no ar seriam propícios à combustão, bastando uma fagulha para desencadear a peste. Acreditava-se que o fator externo à deflagração da epidemia tivesse sido um navio negreiro que estivera no Caribe antes de aportar em Salvador com amarelentos a bordo.</p>
<p>Curiosidades à parte, tais como propostas de eliminar miasmas a tiro de canhão, venda de charutos contra a febre, controvérsias a respeito de porcos soltos nas ruas, o fato é que o vínculo entre o evento epidêmico e a escravidão, presente tanto na anedota sobre São Benedito quanto no episódio do navio negreiro, nos leva ao cerne da questão. A experiência do medo da febre amarela tingia-se de cores específicas àquela circunstância histórica assentada na exploração do trabalho escravo.</p>
<p>Gripe suína, abril de 2009. Chegam as primeiras notícias de que autoridades do México e dos EUA tomavam medidas de emergência para lidar com um novo tipo de gripe. A doença já causara 20 mortes no México, cerca de mil pessoas tinham sintomas suspeitos. Dizia-se que o mal consistia em doença respiratória que acometia porcos, causada pelo vírus influenza tipo A. O flagelo passara dos animais para os humanos e se propagava rapidamente, podendo transformar-se em pandemia. Surge a hipótese de que a coisa se originara em um povoado mexicano no qual havia fazendas de criação de porcos norte-americanas.</p>
<p>Controvérsias quanto ao apelido da epidemia mostram-se acirradas. A indústria de carne suína pressiona as autoridades para que declarem seguro o consumo de seus produtos, eriça-se contra a perspectiva de perdas econômicas, ganha aliados improváveis em organizações de defesa dos direitos dos animais diante da decisão do governo egípcio de exterminar mais de 300 mil porcos. A vilã vira gripe americana, pois já houvera asiática, mexicana e nova gripe. A OMS decide pelo nome científico, influenza A/H1N1. Tal apelido, destinado a prevenir contra prejuízos econômicos e incômodos políticos, é metáfora perfeita dos modos de fazer da medicina científica ocidental: exclui o paciente de qualquer possibilidade de diálogo com os profissionais que devem acudi-lo e impinge-lhe um nome cujo sentido não pode nem deve entender, tornando-o objeto de procedimentos &#8220;neutros&#8221; que aumentam o sentimento de perplexidade, alienação e medo.</p>
<p>Bizarrices abundam no noticiário: dono de empresa aérea diz que a gripe só ameaça favelados mexicanos e asiáticos; jogador de futebol agride o adversário assoando-lhe o nariz na fuça; agência de Nova York lança máscaras protetoras &#8220;de grife&#8221;. Imagine-se a hilaridade de historiadores do futuro ao ler a seguinte manchete, &#8220;científica&#8221; até a medula: &#8220;Preocupado com a gripe suína? Lave as mãos&#8221;. Pobre Fulano, crédulo como uma beata oitocentista, pois sai do escritório de mãos limpinhas, ainda frescas de álcool gel&#8230; para entrar em metrô ou ônibus de uma metrópole. O vírus arrebata o imaginário e a lógica da sociedade de mercado: circula, flui, refaz-se ao sabor das oportunidades. Às pessoas , diz-se agora que devem adotar o &#8220;distanciamento social&#8221;, &#8220;evitar aglomerações&#8221;, &#8220;deixar de trabalhar&#8221;. Assim como na epidemia de febre amarela em sociedade escravista, a pandemia de gripe suína parece brotar das rotinas da nossa sociedade. Por isso desconcerta, amedronta. Que ao menos sirva para pensar.</p>
<p>Sidney Chalhoub, Professor de história da Unicamp e Autor de Cidade Febril (Companhia das Letras)</p>
<p>Fonte: O Estado de S.Paulo</p>
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<p><a href="http://www.febreamarela.com/as-cores-sociais-da-epidemia/">As cores sociais da epidemia</a> foi publicado em: <a href="http://www.febreamarela.com">Febre Amarela</a></p>
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